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NO FIO DO AZEITE

ALGURES - Colectivo de Criação

 

TM ACOLHIMENTO

27 março a 7 abril, 2019 | Qua a Sáb - 21:30 | Dom - 16:00

 

SINOPSE

Um músico está no palco a ensaiar. Toca o telefone e do outro lado é urgente ir buscar a filha Olívia à escola: há greve de professores. Começa a viagem para ir buscar a filha. O céu adquire uma cor vermelha de pôr do sol constante. E de repente tudo parou. Começa uma viagem que o faz regredir ao tempo em que se escondia num imenso olival. Agora sim, as músicas são novamente urgentes!

O que tem a escola a ver com um lagar? Ou melhor: quais as semelhanças entre uma azeitona e uma criança?
Carlos Marques, músico e criador, encontra-se em palco para nos questionar sobre os processos de produção e os métodos de ensino. Os métodos de produção intensos, rápidos e eficazes estão virados para o consumo instantâneo. Afinal de contas, agora nascemos e somos formados para as necessidades dos mercados. Será que deveremos ser mais do que meros temperos de um mundo consumista e industrial? Teremos que ser obedientes?

Este é um espetáculo de teatro ou um concerto ou uma aula cantada e divertida sobre a educação.

 

FICHA ARTÍSTICA

Criação, composição e interpretação – CARLOS MARQUES Apoio à criação – SUSANA CECÍLIO | Texto – JORGE PALINHOS | Vídeo de Cena– RODOLFO PIMENTA Desenho de Luz – PEDRO BILOU | Dispositivo Cénico – CARLOS MARQUES e SUSANA CECÍLIO Voz off – ANA MARQUES | Operação técnica - MANUEL ABRANTES | Carpintaria – JOSÉ MANECAS Design Gráfico - SUSANA MALHÃO | Produção – ALEXANDRA JESUS

 

CLASSIFICAÇÃO ETÁRIA

M/12

 

DURAÇÃO

90 minutos

 

ALGURES - Colectivo de Criação


A ALGURES é uma associação cultural com uma identidade multifacetada: espetáculos de teatro, formações, mediação cultural, programação e trabalho com a comunidade são os eixos de atuação principais, nos quais a formação de públicos é também um foco.
Através dos seus criadores mais ativos (Susana Cecílio e Carlos Marques) a ALGURES desdobra-se em projetos de criação artística de cariz interventivo que visam a reflexão sobre a vida contemporânea e a criação de comunidade. De destacar a conceção e programação do FESTIVAL DA PALAVRA/ Festa dos Contos (desde 2009 em Montemor-o-Novo).
A ALGURES atua além das suas fronteiras e estabelece uma relação constante e frutuosa no Alentejo, sem descurar outros pontos do país, nomeadamente a área da grande Lisboa onde está sediada.

ANDAMOS A REBOQUE PORQUÊ?
Criar um espetáculo que reflete sobre Educação é entrar num mundo que parece não ter fim. Começamos por olhar para trás e fazer regressar memórias coletivas e individuais, questionando o que terá ficado em nós dos tempos de escola, dos seus conteúdos, dos professores, dos colegas, da família e da comunidade onde nos inserimos.
Mas afinal o que é educação? Mais difícil ainda, como fazê-la?
Não creio que as respostas sejam fáceis, até porque o sistema de ensino não se tem dado bem com a rapidez dos tempos da hipermodernidade - cultura do excesso, do intenso e do urgente, onde as mudanças, quase sempre ‘efémeras’, ocorrem no ritmo quase esquizofrénico de pressão sócio-temporal levada ao limite - uma sociedade em que o tempo é acelerado e extrapolado porque se dilui
nas urgências.
A sensação que tenho, como contador de histórias (há mais de 12 anos em várias escolas), amigo, tio ou como pai é que a bagagem humana, criativa e emocional que uma criança carrega vai-se esfumando e que os miúdos são preparados para funcionar num sistema alienado e não para desenvolver suas potencialidades intelectuais, amorosas, naturais e espontâneas.
De fato, não me parece prudente insistir numa Escola fria e com programas cheios. É até perverso ocupar o tempo de uma criança com informações tão distantes dela enquanto há tanto conteúdo ndentro dela, que pode ser usado para que ela se surpreenda a ela própria. É chocante para uma criança, sobretudo no primeiro ciclo, o primeiro contacto com o “regime” escolar! Porém, os miúdos têm essa capacidade extraordinária de se adaptarem ao sistema “adulto”, “sério” e “profissional” do ensino.
Segundo o psicólogo chileno Cláudio Naranjo o sistema instrui e usa de forma fraudulenta a palavra ‘educação’ para designar o que é apenas a transmissão de informações. “É um sistema que quer um rebanho para robotizar.” A educação funciona como um grande sistema de seleção empresarial - passar nos exames, ter boas notas, títulos, bens, bons empregos, estabilidade financeira – e isso é uma distorção do que deveria ser o seu papel! Confunde-se educação com inteligência, com melhor desempenho, melhores notas e melhores recomendações para os currículos. Pergunta Naranjo: a pessoa com o QI mais alto do mundo será também a mais educada?
Já Gilles Lipovetsky, filosofo francês, teórico da hipermodernidade, defende que, termo-nos livrado do antigo sistema, que fomentava um nacionalismo agressivo e contribuiu para as guerras mundiais, já foi um grande passo. O filósofo defende que há um enorme trabalho a fazer na educação, aí está tudo por inventar, pois o caminho mais lúcido para conseguirmos reequilibrar as patologias do mundo contemporâneo e corrigir os excessos e desequilíbrios de uma sociedade que reduz o ser humano a uma espécie de ‘homo consumericus’ passará por reinventar a educação.
O que é que nos impede de criar uma escola diferente? De forma inocente afirmamos que seria simples apelar a uma transformação quando não há sistemas de educação obrigatórios na Europa e nem as famílias são obrigadas a educar os filhos desta ou daquela maneira. Sabemos, porém que a Educação não muda porque está ao serviço dessa sociedade de consumo urgente, descartável e globalizada. Karl Marx queria transformar o mundo e a consciência humana - talvez seja necessário começar por pensar a educação. É preciso refletir sobre esta para depois mudar alguns paradigmas. É um trabalho muito importante. A educação não tem que andar constantemente a adaptar-se aos tempos, ela tem que ter a capacidade para ser o motor dos tempos.

Podemos imaginar sistemas de educação diferentes?

Carlos Marques,
Fevereiro de 2019 - Texto de encenação

 

http://alguresalgures.pt/

 

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